sábado, 29 de novembro de 2008

O Mito do Cristo Negro

Sei que conheço essa idéia desde há muito tempo, mas me recordo mais vivamente de uma cena de Malcolm X, onde este, primorosamente interpretado por Denzel Washington, é apresentado ao conceito segundo o qual Jesus não era o homem caucasiano universalmente representado por artistas ao longo da História. Seria antes, dado a região onde nasceu e a ascendência que possuía um homem moreno, de pele morena. Extremamente apelativo aos anseios dos negros estadunidenses daqueles anos de luta por direitos civis, o conceito sensibilizou o jovem e presidiário Malcolm X. Tentei pesquisar, mas não sei ao certo quando e onde nasceu essa idéia. Há um Cristo Negro em Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; tenho um amigo que afirmou-me que n’O Antigo Testamento há uma passagem em que um dos profetas (Zacarias, eu acho) teria previsto a vinda do Messias, e o teria descrito como um homem moreno e feio. Pedi que me desse às coordenadas exatas do texto, ao que me prometeu fazê-lo quando encontrasse uma Bíblia – e aí já se vão sete anos, e nada da informação.
O conceito traz algo de fascinante para mim, não apenas por ser do contra (meu sangue anarquista pulsando nas veias), mas por ser coerente com o que se observa em características físicas aos homens daquela localidade do mundo. A História ensina que muitos dos conceitos mais universalmente aceitos não passam de meias verdades, com fortíssimos componentes míticos a nublar os fatos reais. Tomando-se o tempo da passagem de Jesus na Terra, e a escassez de registros históricos dos fatos descritos no Novo Testamento, reconhece-se a força das mais disparatadas e ou coerentes idéias acerca dele. Pois bem, quis trabalhar essa idéia, oferecendo a uma personagem de HQs as habilidades consideradas miraculosas levadas à efeito por Jesus. Surgiu-me também de imaginar o que teria ocorrido com O Menino Dourado, de O Rapto do Menino Dourado, quando adulto fosse. Assim, criei Peregrino, afro-descendente de origem incerta, criado no Himalaia por monges budistas tibetanos. Em sua versão primeira se chamava Mentor e possuía poderes de controle da matéria vegetal, como uma Hera Venenosa da calças; apenas num segundo momento optei por associá-lo a idéia do Cristo Negro. Suas habilidades? Tudo que Jesus fez de mais extraordinário, principalmente o que se encontra nos Evangelhos Apócrifos. Assim como Stan Lee tem seu Surfista Prateado, Mauricio de Souza tem seu Horário, este Peregrino é minha personagem de apelo filosófico, cuja história tem papel central em toda a saga, tanto na descoberta da razão de haver pessoas com super-poderes, quanto no futuro da Terra.
Impressão minha ou ele lembra o Obama?

1 comentários:

Teia de Textos disse...

Acho que Jesus tinha que ser negro! Ah que delícia seria para os bobinhos de plantão... pq Cristo de olhinho verde e clarinho é só para folhiha do dízimo, né... rsrsrs
ABraços!