segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Mulher Artificial


Para o homem não parece haver maior mistério que o próprio homem – este observação pode ser a justificativa para a idéia inata e milenar que as lendas e tentativas factíveis de se reproduzir a vida humana, e seu consequente fascínio. Os conceitos antigos, quase sempre supersticiosos, acerca da concepção humana e dos processos e elementos que a envolvem são tentativas legitimas do entendimento que o homem deseja ter acerca de sua origem. Uma das mais antigas lendas relaciona-se a cabala judaica e trata da concepção de um homem artificial – o Golem, criado a partir do barro, cuja origem provável remonte a tentativa de reproduzir a criação divina do homem, que segundo se crê, teria surgido a partir barro, com Adão. Construído como um boneco de argila, são muitas as fórmulas para se animar tal ser, entre as quais combinar cerca de 231 vezes as letras IHVH; para levar o Golem de volta ao pó original era preciso combinar o dobro deste valor (462) das mesmas letras. A mais tradicional das formas de se levar a vida ao Golem é escrever em sua testa a palavra hebraica Emet (verdade). Ao se apagar a primeira letra desta palavra, resta met (morto) o que destrói o ser. A mais afamada história de um Golem é chamada “O Golem de Praga” segundo a qual o rabino Judah Loew teria construído a criatura a fim de proteger o gueto de Josefov, em Praga, contra a perseguição anti-semita no século XVI. Durante o dia o rabino escondia sua criação no sótão de uma sinagoga, libertando a criatura à noite, para patrulhar o gueto – contudo, o ser cresceu e passou a matar pessoas indiscriminadamente. O rabino, então, suprimiu a última letra de emet na testa deste, destruindo-o. Provavelmente, inspirado por histórias bem mais antigas, os alquimistas buscaram realizar algo semelhante, especificamente Paracelso, que afirmou ter produzido a partir de um feixe de ossos, pele e cabelos, uma criatura animada de 30 cm. de altura. Este ser, o homúnculo, foi retomado em Fausto, de Goethe, que descreve a criação da pequena criatura por Wagner, assistente de Fausto. É de supor que Mary Shelley não tenha permanecido alheia a tais histórias, e uma vez supondo que as conhecesse, sofreu a influência direta destas na concepção de seu Frankenstein, na fatídica noite de 16 para 17 de novembro de 1816, em Vila Diodati, a beira do lago Genebra, na Suíça. Sensibilizada pelas histórias de horror contadas por seu marido Percy Shelley e seu amigo Lord Byron, ela registrou em seu diário que não repousou àquela madrugada de verão, pensando acerca do desafio lançado de criar uma história de terror. O restante é história – Frankenstein tornou-se uma das mais populares histórias de todos os tempos, provavelmente a primeira ficção-científica de que se tem registro. O diferencial que repousa em seu conteúdo está na maneira como se levou a animar a criatura – onde antes pairava o mistério das fórmulas e palavras mágicas, surge a ciência da eletricidade, ainda assim misteriosa em sua ação sobre a matéria orgânica, mas aceitável como justificativa plausível para a fonte da vida. Em tempos de DNA e células-tronco, a clonagem humana torna-se uma possibilidade coerente, que aguça a imaginação revelando novas possibilidades, incentivando novas histórias, fomentando novas lendas. O alquimista Eliphus Alphonsus Prozerus, ou simplesmente Heliphás Prozerus, de posse da mítica Pedra Filosofal deu sua contribuição para o mito, criando a partir de argila e partes de corpos uma mulher, cujo primeiro ato de sua vida foi impingir-lhe um ferimento à face, dando-lhe o apelido de cicatriz. Uma autômato à princípio, ela passou a adquirir vontade própria, aumentar seus conhecimentos; maltratada por seu criador, ela reagiu, tornou-se mortal em sua busca por vingança. Acuado em seu castelo, ele a aprisionou no lago subterrâneo deste, nas águas irradiadas pela Pedra Filosofal.

4 comentários:

Teia de Textos disse...

Amei o texto! Verdadeira preciosidade.
Eu tenho que confessar uma coisa: tenho uma invejaaaaaaaaaaaaaaa das suas heroínassssssssssss!!!! Quero um corpão desses!!! Quero jáaaaaaaaaaa!!! rsrsrs
Ela tem peito e coxa! Assim não dá!!!
Abraços, Ricardo!
Em breve, completará um ano que acompanho seu blog!

Teia de Textos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gui disse...

Ae, primo, onde é a fonte de tantas informações?! :)

Abraços e feliz natal!

Guilherme

technology disse...

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