quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Millos Midazar

Na superfície da sociedade civilizada, Millos Midazar é um nome discreto, obscuro para a maioria daqueles cujos interesses não alcançam os círculos das corporações e do mundo dos negócios. Contudo, estes mesmos certamente conhecem seu pseudônimo – Morgo – figura tentacular que comanda uma bem organizada corporação criminosa com ramificações em praticamente todas as espécies de contravenção e ilegalidades, a esmagadora maioria prevista na legislação dos paises em que atua, e estes não são poucos. Meu pai costuma dizer que um filme é bom quando tem um trem, um gato e um mafioso – neste quesito último devo concordar (na maioria das vezes). Batman (DC) é, talvez, a única personagem de HQs que conta, atualmente, com um elenco consistente de criminosos mafiosos em seu universo – que, merece a menção, foram fiel e consubstancialmente representados no cinema, em Batman Begins, mas principalmente em Dark Knight. Acaso haja um posto de vilão máximo em meu universo, ele é Millos. E sua história, envolta em mistérios, terá desdobramentos bastante curiosos e interessantes.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Terminal

Aproveitando o ensejo, Terminal deve seu nome a velocidade terminal; sua habilidade é imprimir a cada átomo uma velocidade exponencialmente maior do que a habitual – macroscopicamente o efeito é a desagregação completa da matéria, algo semelhante a reação que o ácido sulfúrico em contato com a matéria. Contudo, o agente desta desagregação é desconhecido, comportando-se como um pulso de energia que parte do corpo de Terminal em todas as direções. No princípio, isso ocasionava o transtorno de deixá-la nua, não que restasse alguém vivo próximo o suficiente para testemunhar tal fato. Ao longo do tempo ela aprendeu a dirigir tal agente desagregador pelas mãos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vortex

Não sou físico para responder com precisão, mas imagino que um ser humano não seja capaz de se deslocar a altíssimas velocidades pelo espaço usando somente a energia das próprias pernas. A problemática da produção, armazenagem e dispersão da energia necessária para desempenhar tal feito sempre esteve na pauta dos roteiristas de HQs, e suas inventivas saídas são divertidas por serem eminentemente pseudo-científicas. Há ainda a questão da estrutura e aerodinâmica do corpo humano... mas, antes que estenda demais este opúsculo, um aspecto que sempre me despertou curiosidade foi a questão da velocidade terminal – para quem não sabe, há um ponto de equilíbrio existente entre o deslocamento de um objeto em queda pela gravidade e a resistência do ar que freia a aceleração do mesmo: este equilíbrio é a chamada velocidade terminal. A partir deste ponto o objeto não vai cair mais depressa, mas manter a velocidade constante até se espatifar no chão, ou abrir o pára-quedas, no caso dos saltadores. Um velocista de HQs parece ignorar magicamente a resistência do ar e o atrito com o chão (e a gravidade) em suas investidas explosivas através do espaço. Não foi preciso muito esforço mental para supor que, se desejasse ser mais coerente e verossímil com meus personagens do que suas contrapartes já existentes, deveria dar a estes uma tremenda quantidade de invulnerabilidade, ao menos para lhes preservar de se incendiarem no atrito com a atmosfera, e uma sobre-humana resistência física, para não desintegrarem-se de tanto correr. Surge a questão – e se houvesse um velocista sem esses atributos? A resposta parece simples: ou se arrebenta todo até aprender a não correr mais, ou morre correndo. Vortex é uma dessas desafortunadas – possui a estrutura física suficiente, mas a invulnerabilidade de um ser humano comum. Neste momento, então, entra em cena a roupa aerodinâmica, cujo designer inteligente a auxilia na economia de energia, protege do atrito com a atmosfera e freia parte de seu desempenho, dada sua exponencialmente capacidade para correr.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Punk

Velocistas. No mundo das HQs de super-heróis este termo tem um significado mais profundo do que apenas definir um atleta, seja o maratonista de resistência ou o corredor de curtas distâncias e explosões rápidas de alto desempenho. Para os criadores e roteiristas os velocistas são a última palavra em máquinas humanas de cobrir distâncias usando as próprias pernas – todavia, não basta cobrir o espaço de um ponto a outro do globo em questão de segundos; é preciso ser rápido para atravessar oceanos, correr na vertical zombando da gravidade, vencer a barreira do som, da luz e do próprio tempo. Tais ordens de feitos têm sido desempenhados com habitual facilidade por Flash (DC) e seus parentes e agregados, e por Mercúrio (Marvel) filho mutante de Magneto, o mestre do magnetismo. Com certa dificuldade me recordo das mulheres velocistas, e vou encontrar num canto da memória uma personagem obscura, descendente do Flash, apresentada na minissérie futurista Kingdom Come, ou Reino do Amanhã. Creio estar me falhando às lembranças, mas não recordo nenhuma mais – para corrigir esta aparente injustiça, criei não uma, mas duas velocistas. Punk acima representada é a mais jovem, inexperiente e petulante delas – considera-se a número um. Não apenas a mais jovem, mas também a mais conhecida, contrasta com sua contraparte oriental, a romena Vortex (cuja concepção artística apresentarei em breve), cuidadosa e discreta; a velocidade desta é tal que utiliza um uniforme aerodinâmico que retarda parte de seu desempenho – esta, de fato, é a número um.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Mulher Artificial


Para o homem não parece haver maior mistério que o próprio homem – este observação pode ser a justificativa para a idéia inata e milenar que as lendas e tentativas factíveis de se reproduzir a vida humana, e seu consequente fascínio. Os conceitos antigos, quase sempre supersticiosos, acerca da concepção humana e dos processos e elementos que a envolvem são tentativas legitimas do entendimento que o homem deseja ter acerca de sua origem. Uma das mais antigas lendas relaciona-se a cabala judaica e trata da concepção de um homem artificial – o Golem, criado a partir do barro, cuja origem provável remonte a tentativa de reproduzir a criação divina do homem, que segundo se crê, teria surgido a partir barro, com Adão. Construído como um boneco de argila, são muitas as fórmulas para se animar tal ser, entre as quais combinar cerca de 231 vezes as letras IHVH; para levar o Golem de volta ao pó original era preciso combinar o dobro deste valor (462) das mesmas letras. A mais tradicional das formas de se levar a vida ao Golem é escrever em sua testa a palavra hebraica Emet (verdade). Ao se apagar a primeira letra desta palavra, resta met (morto) o que destrói o ser. A mais afamada história de um Golem é chamada “O Golem de Praga” segundo a qual o rabino Judah Loew teria construído a criatura a fim de proteger o gueto de Josefov, em Praga, contra a perseguição anti-semita no século XVI. Durante o dia o rabino escondia sua criação no sótão de uma sinagoga, libertando a criatura à noite, para patrulhar o gueto – contudo, o ser cresceu e passou a matar pessoas indiscriminadamente. O rabino, então, suprimiu a última letra de emet na testa deste, destruindo-o. Provavelmente, inspirado por histórias bem mais antigas, os alquimistas buscaram realizar algo semelhante, especificamente Paracelso, que afirmou ter produzido a partir de um feixe de ossos, pele e cabelos, uma criatura animada de 30 cm. de altura. Este ser, o homúnculo, foi retomado em Fausto, de Goethe, que descreve a criação da pequena criatura por Wagner, assistente de Fausto. É de supor que Mary Shelley não tenha permanecido alheia a tais histórias, e uma vez supondo que as conhecesse, sofreu a influência direta destas na concepção de seu Frankenstein, na fatídica noite de 16 para 17 de novembro de 1816, em Vila Diodati, a beira do lago Genebra, na Suíça. Sensibilizada pelas histórias de horror contadas por seu marido Percy Shelley e seu amigo Lord Byron, ela registrou em seu diário que não repousou àquela madrugada de verão, pensando acerca do desafio lançado de criar uma história de terror. O restante é história – Frankenstein tornou-se uma das mais populares histórias de todos os tempos, provavelmente a primeira ficção-científica de que se tem registro. O diferencial que repousa em seu conteúdo está na maneira como se levou a animar a criatura – onde antes pairava o mistério das fórmulas e palavras mágicas, surge a ciência da eletricidade, ainda assim misteriosa em sua ação sobre a matéria orgânica, mas aceitável como justificativa plausível para a fonte da vida. Em tempos de DNA e células-tronco, a clonagem humana torna-se uma possibilidade coerente, que aguça a imaginação revelando novas possibilidades, incentivando novas histórias, fomentando novas lendas. O alquimista Eliphus Alphonsus Prozerus, ou simplesmente Heliphás Prozerus, de posse da mítica Pedra Filosofal deu sua contribuição para o mito, criando a partir de argila e partes de corpos uma mulher, cujo primeiro ato de sua vida foi impingir-lhe um ferimento à face, dando-lhe o apelido de cicatriz. Uma autômato à princípio, ela passou a adquirir vontade própria, aumentar seus conhecimentos; maltratada por seu criador, ela reagiu, tornou-se mortal em sua busca por vingança. Acuado em seu castelo, ele a aprisionou no lago subterrâneo deste, nas águas irradiadas pela Pedra Filosofal.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Primus

A história de Tomas Aindan segue, ao menos, um dos clichês comuns dos super-heróis – é adotado, mas irá conhecer sua origem em momento oportuno; de resto, pode-se dizer que me esforcei um cadinho a fim de lhe dar uma vida tão plena em experiências que ela irá durar para além do fim do planeta Terra. Pode-se compreender, por exemplo, que um sujeito criado na região rural de um país reflita os valores e a ingenuidade comuns a esta, como Superman – Primus não é diferente, embora não tenha sido criado num rincão interiorano. Carrega consigo algo da malicia da cidade grande, da impessoalidade dos prédios e do concreto que acinzentam a paisagem. Isto não lhe é impedimento algum para fazer valer os mais básicos conceitos de dignidade, nobreza heróica e fidalguia. Suas semelhanças com o super-herói básico cessam por aí. Ele não possui o kit fundamental de super-poderes – na realidade seus poderes evoluem e aumentam em qualidade e quantidade [uma das mais marcantes de suas experiências, aliás, diz respeito ao aprendizado do desenvolvimento de suas habilidades]. Ele não possui a eterna e chorosa namorada que fica dependurada em sua capa a primeira oportunidade – ele terá 3 namoradas ao longo da vida, sendo a última sua esposa e mãe de seus filhos; nenhuma delas corresponderá ao estereótipo da mocinha frágil e vulnerável. Contudo, há uma série de detalhes que devem ser cuidadosamente trabalhados para compor a história dessa personagem, de tal conta que não devo revelar mais nada, apenas que ele é o narrador de toda a saga – papel óbvio, já que lhe caberá a imortalidade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mab

Nunca entendi completamente a necessidade, melhor, a utilidade de personagens mágicos nas HQs de super-heróis. Os super-heróis são, segundo compreendo, adventos da era moderna, racional, científica – por mais absurda que seja a explicação dos poderes do Superman, Flash ou Lanterna Verde, elas possuem um apelo científico (ou pseudo-científico). Compreende-se, por exemplo, que a natureza alienígena do Superman lhe capacite a executar os feitos que lhes são comuns (ou incomuns). Porém, uma explicação mágica e misteriosa para a existência de, por exemplo, o Capitão Marvel (da DC) é pedir demais do leitor, habituado a TVs de plasma, celulares e que tais. Embora tenha simpatia por personagens como Zatanna, prefiro a magia num outro contexto, como em Livros de Magia e Hellblazer, do selo Vertigo (por sinal, também da DC). Contudo, uma personagem com apelo mágico não deixa de ser interessante, embora ladeada por super-heróis. Mabelline Quenesendt é inglesa e possui poderes que fazem recordar a magia, embora não sejam mágicos – teletransporte, telecinése, invisibilidade, limitado controle sobre a manipulação do fogo, etc. A principio ela é apenas mais uma pobre e confusa mulher que descobre possuir super-poderes durante a puberdade; sua personalidade é moldada, em parte, por sua reação a esta mudança de status, de humana ordinária a extraordinária. Afoita e maravilhada com os próprios poderes, ela irá no futuro se aliar a uma consciência alienígena, em busca de maior poder, e será o estopim de uma grande crise mundial.